quarta-feira, 24 de julho de 2013

SERES PEQUENINOS "O REINO GELADO DE INSETOPIA"



Eu penso nos seres pequeninos como deve ser o frio deles? Onde a grama de casa congelada tem o mesmo efeito que um morro para nós seres humanos congelando, não? Insetos e outros microscópicos seres como se adaptam as adversidade e o frio intenso? Com a chegada do inverno e das baixas temperaturas, as meias, casacos, cachecóis e agasalhos que “hibernaram” por todo o verão e primavera, saem dos nossos armários. Camisetas e regatas, tão utilizadas, vão saindo de cena abrindo espaço para que "as manguinhas compridas sejam postas de fora”.No Brasil, apesar de não nevar pelo menos em grande parte de nosso país a simples diminuição das temperaturas que não necessita ser tão brusca, mas para um país tropical de temperaturas elevadas qualquer diminuição já é bem significante. Já é suficiente para mudar totalmente os hábitos da população. Transpiramos menos, tomamos menos água, abrimos mão de sorvetes e bebidas geladas e damos preferência a sopas e caldos quentes. Além disso, ficamos mais tempo em casa, quer programa melhor que assistir um bom filme embaixo das cobertas?Se olharmos à nossa volta, percebemos que não são somente nossos hábitos, sejam eles alimentares ou o modo como nos vestimos que são alterados com o frio, e a presença tão esperada plantas e animais também passam por mudanças. Muitas plantas não dão flores nem frutos em épocas frias, e grande parte dos animais, assim como nós, não são facilmente vistos transitando por aí, alguns animais que são abundantes durante quase todo o ano, como por exemplo, os insetos. Não é difícil “tropeçarmos” em formigas e besouros, ou mesmo observarmos moscas e abelhas visitando flores, ou tentando sair através do vidro fechado da janela, mas eis que o inverno chega e eles também somem. Por que isso acontece?No organismo dos insetos ocorre um conjunto de reações que eixam o metabolismo lento por causa do clima parecido assim com o nosso que também tem temperaturas ideais de funcionamento, conhecida como "temperatura ótima". A temperatura implica uma série de mudanças no corpo dos insetos, como por exemplo, a taxa de respiração ou a maturação dos órgãos reprodutores. Alguns insetos, como o percevejo da espécie Euschistus heros (família Pentatomidae) são bem abundantes em períodos de primavera/verão, principalmente em pés de soja e girassol, onde geralmente se alimentam, mas no outono/inverno desaparecem. Estes insetos não deixam de existir nestes períodos mais frios e sim, passam por um processo que chamamos diapausa, uma tipo de "hibernação" no qual o metabolismo do inseto diminui, não a ponto de parar completamente, mas o suficiente para impedir seu desenvolvimento. Nesta fase, estes insetos alojam-se sob as folhas secas, lá permanecendo até momento propício.
Quando a primavera retorna e as temperaturas se elevam, estes insetos “despertam de seu "sono profundo’” e voltam à ativa, seu metabolismo agora trabalha a todo vapor, seus órgãos acabam de se desenvolver (inclusive os reprodutivos), eles se alimentam como nunca, seu peso aumenta e também o seu tamanho. Como os insetos têm uma proteção externa chamada exoesqueleto, formada principalmente por uma proteína chamada quitina, que é muito resistente e rigída, cada vez que ele cresce, sofre uma muda ou ecdise, que é a substituição deste exoesqueleto por um que comporte seu novo tamanho.Tendo então completado sua maturação, o percevejo parte em busca de um parceiro (a) para se reproduzir. A fêmea põe seus ovos e então, ainda na primavera, ou no verão, eles eclodem dando origem a pequeninos percevejos (chamados ninfa) que passarão pelos mesmos processos que seus pais, inclusive pela diapausa, até se tornarem adultos.
Concluímos então que o frio é então responsável pela regulação do desenvolvimento e reprodução dos percevejos-marrons assim como de muitos insetos e outros animais, o que é muito importante para o controle da população, pois caso a temperatura fosse alta durante todo o ano, sua maturação se daria bem mais rapidamente, haveriam cruzamentos constantes e isso resultaria numa explosão populacional, em outras palavras eles se tornariam “pragas”.

matéria: RCB.'.

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